23 dezembro, 2012

2013, tanto faz.

(Não leiam, é apenas um desabafo). 

Sem expectativas, sem planos. Assim, pela primeira vez, me preparo para o próximo ano. Não estou fazendo nenhum tipo de melodrama mas é que cansei mesmo de todo fim de ano pensar em coisas novas pra fazer, posturas novas pra assumir, o que comprar, pra onde ir, o que fazer. Sim, eu sei que projetos são importantíssimos, metas existem para serem supridas e objetivos para serem alcançados. Mas não estou afim cara, não hoje, nem provavelmente amanhã, nem depois. Gostaria mesmo que todos parassem de me perguntar coisas desse tipo e parassem de narrar e planejar suas trajetórias perto de mim também.
Fiz tantos planos e nada deu certo, outros que nem fiz, ganhei de presente. Sei que essa é mais uma fase minha de auto-crise-psicológica que vai demorar pra passar assim como todas as outras, só queria que entendessem que não é nada fácil levar os dias se arrastando, calada, com um sorriso no rosto ainda por cima para que todos acreditem que está tudo bem, porque não sou dessas de espalhar aos sete ventos os problemas e dificuldades que percorrem o meu caminho, até porque não conheço ninguém que poderia ajudar.
Choro, choro muito porque ainda são nas lágrimas que encontro saída, são elas que varrem a tristeza que tenho em mim até que a próxima tristeza apareça novamente. Não sou exagerada, muito menos dramática, mas eu é que sei que o passo e ainda assim consigo me manter forte e em pé. E se Deus não estivesse comigo, nem sei o que seria de mim. 

(Quero ler tudo isto daqui a algum tempo e ver que pelo menos alguma coisa mudou. Pra melhor, por favor.)

12 novembro, 2012

Lembranças embaraçadas


Abri meu livro preferido, o que você me deu. Ele estava lá na estante escondido para que eu evitasse lembrar você, mas não sei por que hoje foi inevitável. Aperto-o contra meu peito com uma força desigual, como se fosse um abraço que desejaria te dar e quase sem me tocar que as lágrimas escorrem pelo meu rosto, começo a lembrar de nós. Queria poder dizer que sinto tua falta e te levar para caminhar na areia da praia e você me perguntaria por que praia e eu responderia que praia é um lugar bonito e sossegado, combinaria com a gente. Mas eu sequer tenho coragem de pegar o telefone e perguntar qualquer coisa boba, ou se você está bem, ou qualquer outra desculpa que eu inventaria para ouvir a tua voz. Covarde demais eu sou, tanto que não tive coragem de enfrentar meu próprio orgulho para dar chance ao amor que crescia entre nós. Tanto que, se me arrependi, nunca tive coragem de pedir perdão. 
Hoje você anda por caminhos que só te levam pra longe de mim, porque eu, eu mesma peguei sua mão e te levei pra esse caminho achando que estava me protegendo, me guardando de sentimentos que não suportaria sentir. Você simplesmente obedeceu.
Anoiteceu e ainda estou aqui, sufocada em lembranças e passados que permanecem vivos como se fossem flores mal regadas que insistem em crescer. E tão logo murcham.
Volto a esconder meu livro, lembrar você ultimamente não anda me fazendo bem. Um dia, quem sabe, eu possa te olhar novamente nos olhos e sorrir como antes.

01 novembro, 2012


"Hoje eu acordei com uma vontade enorme de olhar no fundo dos seus olhos
E te pedir perdão
Por tudo que eu falei sobre o amor, sobre nós dois ou sobre o mundo
Às vezes eu perco a razão
É que eu não reparei quando você me protegia em silêncio
E eu não soube expressar o meu carinho o meu amor em palavras de novela
Mas quando a gente cresce, a gente aprende a dar valor a quem está perto."♪ 
(Detonautas)

21 outubro, 2012

Amor não-regado

- O vento vai dizer lento o que virá e se chover demais, a gente vai saber claro de um trovão se alguém depois sorrir em paz.♪  

Sei que não vai ser fácil tentar te convencer que quero acabar o que, pra mim, nem começou. Mas não dá mais para costurar uma relação em que só uma parte possui o maior sentimento, principalmente o de posse. Sou passarinho solto, gosto de voar, gosto de sentir que somente o céu é meu limite quando me ocupo em desvendar o mundo. Tenho medo de me arrepender porque de repente você pode ser o homem perfeito, o cara com quem sempre sonhei dedicar o Ultimo Romance de Los Hermanos, tendo a certeza de que eu estaria certa. Aquele que me levaria pra passear no fim de tarde na praça ou na praia ao lado dos nossos filhos. Aquele que seguraria minha mão debaixo da chuva e me levaria para qualquer abrigo mais próximo, a fim de que eu não molhasse os futuros finos cabelos brancos. Mas não sou tão sentimental a ponto de me auto-persuadir e deixar que todas essas definições românticas me confundam a cabeça. Bem queria ser, para acabar com esse mal de achar que não estou preparada para assumir um romance, um relacionamento sério, um alguém pra segurar a mão. 
Ontem estive doente, você não esteve aqui, assim como não esteve anteontem quando precisei de um abraço. Mas esteve em outros dias e outros momentos em que nem precisei, assim sem ser chamado, sendo meu porto seguro. O fato é que não estou acostumada a essas inconstâncias e na verdade sei que a elas, são tudo culpa minha. Sei que te faço instável, porque eu mesma sou instável, e sou ciente mais ainda que não é nada fácil conviver com alguém assim. Desculpa minha impaciência e incompreensão e tantos outros 'ins' que não me deixam completar nada entre nós. Desculpa se todos esse anos não fui e nem cheguei perto de ser o que você sempre sonhara com uma relação. Peço desculpas se te amo da minha maneira, da maneira mais desigual e incorreta que pude sentir.
O mundo lá fora já não torce como antes por nós, nada mais é como um dia já foi. Acho que nem você é mais aquilo que era e que eu sempre gostaria que fosse, embora não desse a mínima. Fomos nos perdendo por caminhos que não nos levaram a lugar algum.
Hoje acordei cedo e comecei a regar as flores do jardim improvisado da varanda, alguma coisa, pensei, haveria de crescer forte e amadurecer com o tempo, já que o nosso amor não passou de desajeitadas tentativas.

18 outubro, 2012

Alissa Tulipa


Pela janela do apartamento do penúltimo andar ela olhava as inúmeras luzes da cidade e os carros indo e vindo. Poderia ir ao menos na lanchonete da praça que fica a menos de 200 metros, comer seu famoso cheesecake e bater papo com alguém, mas solidão, pensava, solidão é sua grande companhia. Faz frio, ela prepara seu rotineiro café da noite, esquenta torradas e vai para a poltrona de camurça vermelha da sala, sua preferida. O telefone toca:
- Alô?
- Oi Alissa, a amante de tulipas.
- Oi John. Quanto tempo.
- Pois é, quanto tempo. Estava arrumando umas coisas aqui e achei uma foto nossa, aquela que tiramos naquela tarde ensolarada lá no Parque do Bom Menino, lembras?
- Lembro sim. Lembro que encontramos uma moça vendendo tulipas artificiais e...
- E você disse que eram lindas e o quanto gostaria que elas ali fossem naturais, para tocá-las, cuidá-las.
- É... você até comprou umas pra mim, me convencendo que pelo menos elas tinham a vantagem de que nunca iam morrer. 
- Verdade, ainda as têm?
- Sim, sim, estou olhando para elas agora, no vasinho da estante.
- Que bom. Não é por nada não, mas estou te achando tão, tão desanimada, triste. Aconteceu alguma coisa?
- Ando cansada, muito cansada.
- Estudando, trabalhando demais?
- Também, mas não é só isso. Ando cansada do vazio das pessoas, do mundo. Ando cansada da liquidez de muitos. Depois que você se foi, comecei a enxergar os arredores. Tudo muito fútil, muito artificial, as pessoas vivem focadas em coisas desinteressantes demais. Tudo é rótulo. Acho que na verdade sempre foi assim, mas com você era tudo tão mágico que eu nem percebia o mundo lá fora.
É triste, muito triste. Sou triste. Queria mesmo ser uma tulipa, daquelas bem vermelhas, para representar o amor, o amor verdadeiro, cuidadoso, bonito. Ando desanimada sim meu amigo, porque aqui tudo é ausência. Por isso fico só com meus poucos amigos, não por me achar superior ou auto-suficiente, você sabe que não sou dessas coisas, mas simplesmente por não querer me deixar corromper pela ausência de valores dos muitos que estão por aí. Às vezes, não raramente, até prefiro ficar só, eles, os meus amigos, quase sempre não me entendem, não me aceitam. Não os julgo, reconheço minha não-tradução. Mas e você John? Conte-me como andas. 
- (Silêncio).
- John? John, você está aí?
Toca o despertador, são 5:15 da manhã. Alissa faz o que é de costume, levanta-banho-café-se arruma-sai. Mais um dia de serviço. Mais um dia cinza como qualquer outro. As tulipas continuam lá na estante. Mas não houve ligação, lembranças, conversa, importância, desabafo.
Tudo não passara de um sonho. 

02 outubro, 2012

Uma falta de.

Não consigo me apegar a ninguém. Falo do apego-paixão. Até consigo achar alguém interessante mas quando sinto que estou indo além das minhas limitações, finco novamente os pés no chão como se tudo fosse virando uma armadilha em que eu esteja prestes a cair. E me faço indiferente para proteger a mim mesma, chego a machucar, ferir mesmo. Já fiz e sei que ainda faço muito mal pra quem realmente gosta de mim. É involuntário, é minha defesa, já tentei, juro, mas não consigo ser diferente. Qualquer possibilidade de apego me deixa insegura, incomodada, imprevisível. 
Pra segurar minha mão e andar ao meu lado tem que superar minhas expectativas que nem eu me considero capaz. Não penso ainda em dividir espaço, obrigações, planos, cobertores. Sinto-me imensamente invadida se alguém ao menos ousa ler minha agenda de compromissos, imagine minha vida. Não sou traduzível, não sou simples, não sou fácil. Fujo às regras. E não conto vantagem sobre isso, aliás até acho que não há muita primazia que se possa tirar disto. Mas sou aquela que o tempo moldou.
Gosto de sorrisos, abraços, beijos, carinhos, conversas e laços que não sejam tão apertados a ponto que eu não possa desamarrar. Detesto nós. Detesto tudo que prende. Aprecio a liberdade. 
Só quando as lágrimas molham o papel que escrevo, é que percebo o quando dói admitir que sou incoerente.