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29 março, 2014

Uma des-saudade


Não que eu já estivesse desinteressada, muito pelo contrário, acho que meu interesse chegou no mais alto nível e é justamente por isso que vou tentar manter a rédea, manter o controle. Mas eu te diria também que esses não são meus maiores motivos, na verdade, eu cansei mesmo dessa nossa rotina de vai e vem, desse teu comportamento tão independente, das tuas desculpas baratas, das tua frases impensadas e de todas  as falsas tentativas de que você me faria mesmo feliz. Sei que foi escolha minha largar tudo pra segurar a sua mão, dar o mundo e mais um pouco pra te ver ao meu lado. Mas eu queria realmente voltar a sentir aquela sensação boa de sorrir ao telefone toda vez que você liga, de festejar nosso aniversário de mês, de andar de mãos dadas pelas ruas mostrando a Deus e ao mundo o quanto somos felizes, de botar o meu vestido mais bonito para sairmos à noite, de me perfumar inteira para te esperar na minha porta, mas sinto que tudo isso foi se perdendo no tempo como um balão que por acaso se solta da mão de alguém e vai voando sem rumo. Nosso amor também está voando há um tempo e não consigo vislumbrar o seu destino. Também não faço mais questão de correr atrás de um amor de migalhas.
Quando a gente reconhece nosso próprio valor, a gente se basta. 

13 maio, 2013

O que alimenta a alma

Olá pessoal, hoje eu queria aproveitar o post para dizer que estou me agradando bastante da ideia que muitos blogs estão tendo de resenhar livros. É a oportunidade de compartilhar comentários e emoções sobre algo que você também já leu e principalmente, conhecer uma história que você não conhece. Como há um mês comprei livros novos, também não quero deixar passar a oportunidade de compartilhar minhas resenhas-opiniões sobre eles. 


Eu já estou quase terminando de ler 'As vantagens de ser invisível' e logo, logo farei meus comentários a seu respeito.

Alguém já leu, pretende ler, tem alguma sugestão ou crítica sobre algum deles? Sintam-se à vontade.
Beijos.

17 abril, 2013

Inabilidades

E olhar para o tempo com um novo olhar. Sair por aí com roupa leve e cabelos soltos. Sentir a chuva que aos poucos começa a cair e não correr pra se abrigar porque hoje vai fazer bem tomar banho de chuva, pra lavar a alma, pra levar pensamentos que não fazem mais sentido. Estou começando a não mais me precipitar, a não mais fazer planos, a não mais te dar chances, a tentar esquecer nossas músicas que falam de amor, e beijos, e desejos, e. 
Lembro de ter lido em algum lugar que quem ama, cuida. E eu não estou mais cuidando de mim e não tenho mais forças pra cuidar de você. E nem você de mim, muito menos de nós. Não é fácil costurar uma relação, ou se é, pelo menos não tenho habilidades. Não sei me adequar a coração desajeitado.


25 março, 2013


Entra pra ver como você deixou o lugar
E o tempo que levou pra arrumar aquela gaveta
Entra pra ver, mas tira o sapato pra entrar
Cuidado que eu mudei de lugar algumas certezas. 
(Cícero)

01 março, 2013

Aquilo que não quero ouvir (mas, ver).


Você sabe que precisa de bebidas mais fortes quando a mente tenta esquecer o que o coração insiste em lembrar. Tá, eu sei que o coração não lembra de nada e que o único que possui essa função é justamente aquela que eu quero que faça o contrário, e eu só estou usando essa linguagem altamente figurada pra dizer que todo o meu problema tem a ver mesmo é com o coração.
Penso em ir a um bar (por que não?!?) e pedir uma Vodka bem forte, daquelas que você toma e faz um esforço gigantesco para conseguir engolir, mas são apenas 14:00 h e não quero que pensem, de forma alguma, que sou mais uma AA que anda solta por aí. Então decido ir na cafeteria mais próxima, que não é tão próxima assim e eu precisaria, no mínimo, me preparar físico e psicologicamente para caminhar uns metros a mais do que estou andando nas últimas semanas. Logo desisto porque lembro que nem gosto tanto assim de café e a última coisa que eu quero agora é me manter acordada por causa de um efeitozinho provocado pela cafeína.
Decido ficar em casa mesmo, tomar no máximo, um milk-shake de baunilha, deitar no sofá cor-de-rosa da varanda e claro, como não poderia deixar de ser, pensar em nós dois. Imagino que se fôssemos um casal normal, digo tranquilo, sem confusões, sem neuroses, sem desconfianças e coisas afins, seríamos mais felizes. Porque na teoria todos acham legal dizer que felicidade vem de dentro e tal, mas na prática sabemos que felicidade depende muito mais do quesito amor do que se supõe. E de suposições estou farta. Estou farta também de promessas, as suas, que nunca são cumpridas, e também de todas as vezes que prometemos que será diferente, mas nada muda de lugar, começando pelas nossas ideias que são quase sempre imutáveis.
Sonho baixinho (porque já cansei de sonhar alto e levar tombos inesperados) que um dia possamos nos entender, e só quero, não porque hoje é o primeiro dia do mês e nem porque é sexta-feira (que geralmente cria em mim uma expectativa viva e imensa) que estou encorajando minhas palavras-desabafo-revolta-interna, mas é que hoje, pelo menos hoje, eu queria que você parasse de dizer que me ama e partisse para o plano de me provar com atitudes que isto é verdade. Porque, definitivamente, ainda não sou (e nem pretendo ser) do tipo de mulher que se conforma apenas com palavras (ao vento). 

19 fevereiro, 2013

Bem assim.

Me abrace, me beije, me cheire, me ame, mas não me peça pra tornar sério aquilo que, para mim, ainda não é. E não porque eu não quero que seja, mas porque nós ainda não nos demos razões suficientes para que assim se torne. Deixa que o tempo se encarrega de trazer o que for bom pra nós, e se não trouxer é porque não era pra ser. Paciência, pois.

18 janeiro, 2013

Sentimento sem nome


Queria ter o poder de pegar todas as lembranças que ainda me restam de você, colocar em uma gaveta e passar o cadeado. Não jogaria a chave fora mas guardaria em algum lugar não muito comum, de forma que eu nem lembrasse que ela existe. Os sentimentos seriam bem mais fáceis de lidar se tivéssemos o domínio sobre eles. Estou tão cansada dessa rotina de ilusão, em que se acredita em amores verdadeiros que não passam de paixõezinhas de esquina. Fico pensando se o problema está em mim que sempre acabo me entregando demais, me dando de bandeja toda vez que você cansa dos ares do mundo e volta para os meus abraços como se nada estivesse acontecido. E nada mesmo acontece, eu estou sempre aqui, não a te esperar, mas a te receber com sorrisos, e batom, e perfumes, e carismas, e beijos, e esperanças, e. 
Mas aí sempre chega o momento em que você, mesmo sem intenção, parte os últimos cacos que ainda restam do meu coração e desmorona todas as minhas possibilidades de ser feliz outra vez, então te mando embora pois reconheço que, como na metafísica, nós possuímos o princípio da impenetrabilidade em que eu não posso ocupar o seu espaço ao mesmo tempo que você ocupa o meu. E isso dura até que o ciclo volte novamente à tona e tudo recomece outra vez. Até hoje não sei se é amor, ou paixão, ou desejo, ou apego, ou loucura, ou algum tipo de consideração que temos um pelo outro porque sempre resta alguma coisa inacabada, sempre falta um pedaço do quebra-cabeça em que não conseguimos encaixar, sempre falta a nota da música que não entra em sincronia, sempre falta algo que conspire a nosso favor. A verdade é que não sei dar nome a esse sentimento que nos envolve e nos tormenta, nos aproxima e nos afasta. Mas a maior verdade é que preciso ser mais forte que eu, mais forte que a dor-saudade-carência pra poder dar o ponto final de um parágrafo que há tempos perdeu-se em uma página qualquer. Só assim me convenço que nossa história não passou de um conto de fadas com a ausência de um final feliz.


12 novembro, 2012

Lembranças embaraçadas


Abri meu livro preferido, o que você me deu. Ele estava lá na estante escondido para que eu evitasse lembrar você, mas não sei por que hoje foi inevitável. Aperto-o contra meu peito com uma força desigual, como se fosse um abraço que desejaria te dar e quase sem me tocar que as lágrimas escorrem pelo meu rosto, começo a lembrar de nós. Queria poder dizer que sinto tua falta e te levar para caminhar na areia da praia e você me perguntaria por que praia e eu responderia que praia é um lugar bonito e sossegado, combinaria com a gente. Mas eu sequer tenho coragem de pegar o telefone e perguntar qualquer coisa boba, ou se você está bem, ou qualquer outra desculpa que eu inventaria para ouvir a tua voz. Covarde demais eu sou, tanto que não tive coragem de enfrentar meu próprio orgulho para dar chance ao amor que crescia entre nós. Tanto que, se me arrependi, nunca tive coragem de pedir perdão. 
Hoje você anda por caminhos que só te levam pra longe de mim, porque eu, eu mesma peguei sua mão e te levei pra esse caminho achando que estava me protegendo, me guardando de sentimentos que não suportaria sentir. Você simplesmente obedeceu.
Anoiteceu e ainda estou aqui, sufocada em lembranças e passados que permanecem vivos como se fossem flores mal regadas que insistem em crescer. E tão logo murcham.
Volto a esconder meu livro, lembrar você ultimamente não anda me fazendo bem. Um dia, quem sabe, eu possa te olhar novamente nos olhos e sorrir como antes.

29 julho, 2012

O que virá

Minha vista cansa toda vez que penso em escrever sobre você. Meus dedos enrijecem e os pensamentos parecem não querer fluir. Fomos e somos um tanto complicados. Nosso passado não nos deu base para o presente e estou fraca demais para reconstruir planos. Você fala de amor sem sabê-lo exatamente e estou prestes a te dizer que não, você não sabe o que é o amor, entre nós dois há, na verdade, um sentimento indefinido, inexplicável e intenso. Intenso como nós. Intenso como todos os momentos que vivemos.
Não me abrace agora, eu preciso tirar do peito o que sufoca a garganta. Eu preciso gritar para amenizar toda a bagunça residente em mim desde a última vez que nos encontramos. Não consigo te olhar com os mesmos olhos de menina de 3 anos atrás. Eu mudei, você mudou, de formas diferentes mas mudamos. De repente nada mais é o que gostaríamos que realmente fosse e o tempo acaba levando parte de nossos sonhos e fé. 
Não me venha com discursos clichês, já passei dessa fase de acreditar em palavras bonitas e aparentemente verdadeiras sem realmente as serem. Gosto de transparências, elas não falham. Desculpe minha posição exigente e um tanto egoísta, é que as circunstâncias, nesse caso, me fizeram assim.
Torço para que o vento nos traga coisas excepcionalmente boas, e que em uma tarde de um verão qualquer ainda possamos ver aquele por do sol com abraços sinceros e doces sorrisos. Porque sim, eu sei que é possível.


14 julho, 2012

Indestrutível


Cuide de quem corre do seu lado
E quem te quer bem
Essa é a coisa mais pura. 
(Charlie Brown Jr.)

É que eu não queria me sentir balançada, desestruturada, envolvida. Eu não queria acreditar que o nosso amor fosse concreto, mas você faz de tudo possível para fazer dele algo extremamente visível aos meus olhos. Perco o domínio de minhas atitudes e você toma as rédeas da situação. Não tem jeito, lá estou eu a me perder por um caminho sem saber exatamente aonde vou chegar.
Pelo menos segura bem forte a minha mão, eu só não quero me perder de você. A cada dia reconheço que o nosso amor já virou algo inerente a nós.

05 julho, 2012

Saudade


Não que fosse tão difícil de suportar, mas é que às vezes sinto uma saudade absurda de você. Torceria de pé para que tudo isso não passasse de uma hipérbole, mas o aperto no peito me confirma que não e começo a achar arriscado todo esse sentimento escondido, que eu nem sabia que tinha. Digo arriscado no sentido de não saber em que estágio estamos. Ah claro, porque muitas vezes nos fazemos de cegos, surdos e loucos para fingir que somos imune ao amor, como se isso fosse realmente possível. Então você vai para algum lugar que desconheço e fica por lá uns dias. Enquanto eu, fico aqui a ler livros contemporâneos, revistas de moda e culinária e assistir a uns filmes de comédia-românticas já que nada mais me resta além de uma reles férias de quinze dias. 
Bem no meio da noite, quando os cobertores sabem exatamente a função de esquentar o meu frágil corpo em um clima de frio, você me liga e diz que está com saudades também. Faço o maior esforço, juro, para que não transparecesse que era tudo o que eu precisava ouvir, mas a essa altura o meu risinho baixo e lascivo já me definiu. Assim como o seu acabou de se definir para mim.
E assim vamos tendo certeza que, de todos os nossos embaraços, distância e saudade ainda são os impasses mais doloridos. 

10 maio, 2012

Aquela menina


Ficava assim, perdida no tempo, estalando os dedos e cantando uma música lenta, tão lenta que quase não parecia que era mesmo uma música, mas um verso qualquer decorado de algum daqueles livrinhos de poemas simples que a gente encontra facilmente em bancas de jornais. O sol brilhava lá fora e as árvores pareciam ter mais frutos, mais vida. As flores do jardim em frente coloriam a paisagem e os olhos de quem passava por ali. No aquário, aquele que enfeitava a mesinha de centro, os peixes nadavam e dançavam e até pareciam sorrir uns para os outros. O vento era brisa e até parecia carregado de um aroma cítrico-oriental. Tudo, de alguma forma, tinha cor, luz, vida. A única coisa opaca dali era ela, a menina. E não fazia questão de nada, vivia pra si mesma, levava os dias monotonamente e disso se contentava. De vez em quando recebia visitas, estranhas também como ela, e não muito rápidas. Suponho que ela não gostasse de conversar, ou não tivesse muito assunto, qualquer um dos dois seria convincente. Era quase sempre dispersa, com ar de cansaço, um cansaço antigo, decifrável apenas para ela mesma. Ainda podia observá-la daqui, da brecha da janela do meu quarto, a facilidade que ela tinha de ler e se movimentar num ritmo quase acelerado naquela cadeira de balanço do terraço e me perguntava como ela conseguia ler daquela forma. Mas desisti de tentar entendê-la, ela muitas vezes, parecia sem sentido e eu não ia perder meu tempo, não com ela, não tentando decifrá-la. 
Hoje acordei com uma música vinda de lá, não era tão lenta quanto as que ela cantava. Parei para ouvir melhor, era 'If Today Was Your Last Day', de Nickelback e me surpreendi em notar que nós tínhamos alguma coisa em comum. A afeição por essa música. Tanta afeição que ela a repetia sempre que terminava e eu não me cansava de ouvir. Por dentro da música eu ia me encontrando, me perdendo, me encontrando novamente e creio que ela também. Que havia sentido naquelas notas pra mim, isso eu sabia, mas presumo que, para ela, era muito mais que um sentido qualquer, era algo que fugia da realidade e ao mesmo tempo uma reflexão para a vida. Se hoje fosse o seu último dia, e ela tivesse o poder de mudar sua própria história, seu destino, suas escolhas, quem sabe se tornaria mais brilhante, mais feliz. E eu concordaria, sem querer admitir, que no fundo, no fundo, eu me pareço muito com ela. 

04 maio, 2012

Insegurança


" Seria tão bom se pudéssemos nos relacionar sem que nenhum dos dois esperasse absolutamente nada, mas infelizmente nós, a gente, as pessoas, têm, temos - emoções." 

(Caio F.)

Não, eu ainda não estou apaixonada, embora eu tenha todos os motivos do mundo para estar, ou melhor, embora você esteja me dando todos esses motivos. Mas você sabe que faço o tipo menina-séria-durona-complicada que bate de frente com qualquer possibilidade de apego. Essa minha inabilidade com sentimentos não me permite ir além do que deveria. Do que me espera.
Tenho constantemente a impressão de que, inclusive, estou indo longe demais, e, por vezes, te deixo guiar meus passos. Mas só até um certo ponto, porque passar do limite definitivamente não caberia a nós. Pelo menos não ainda. E se não for pedir muito, tenha paciência comigo. Não sou muito fácil e também não estou com pressa.
Perdoe a minha precariedade de disposição afetiva, é que ainda não estou segura o bastante para acreditar que o amor possa estar batendo em minha porta. Mais uma vez.

23 março, 2012

Chuva de fim de tarde

Só quando começou a chover, percebeu que esquecera o guarda-chuva em cima da mesa de vidro de sua sala normalmente bagunçada no fim do expediente às sextas-feiras. Mas já caminhava cerca de 15 minutos, e se voltasse para buscá-lo, seria a mesma circunstância de continuar andando até chegar em casa, todo molhado. Então preferiu seguir em frente. Os passos, ora aceleravam, ora diminuíam, tudo ia de acordo com a velocidade daqueles pingos gelados e incessantes. Foi quando, do outro lado da avenida, entre carros e motos e outras pessoas, notou que alguém caminhava ainda mais rápido que os seus próprios passos. Braços segurando o próprio corpo e, volta e meia, jogando a fina franja molhada pra trás, era assim que ela seguia sua apressada trajetória. Olhou pra ele também e sentiu a sensação de que o conhecesse de algum lugar, ou que pelo menos já o teria visto em algum lugar, talvez na cafeteria da esquina ou mesmo na livraria que havia inaugurado há umas três semanas. Como de praxe, ela entrou na padaria para comprar seu pedaço de torta de limão com calda de chocolate e ele mais que depressa atravessou a rua.
Torta de limão é mesmo incrível. –Ele falou como quem não tem o que dizer, mas anseia puxar assunto.
A calda de chocolate, nesta aqui, é que faz a diferença, e, portanto minha preferida. - Ela sorriu meio sem graça. Não tinha o costume de falar nem sorrir para desconhecidos, mas se sentiu à vontade pra falar de uma simples preferência sua.
Vou esperar a chuva passar. Já basta a sinusite, pegar um resfriado agora não ia cair bem.
É, definitivamente não estou a fim de passar o final de semana inteiro de cama. Vou esperar também.
E ficaram imóveis, mudos e centrados apenas nas poças d’água que se formavam no chão.
Enquanto isso milhões de memórias norteavam a mente dele, não sabia seu nome, endereço ou telefone, mas queria de alguma forma ficar perto dela, oferecer seu casaco azul-marinho que estava perdido em sua mochila, mesmo sem saber ao certo se ela gostava de azul, mas pensou que a cor não seria o mais importante naquele momento, queria também arrumar sua franja molhada, e levá-la em casa, e dar-lhe um abraço e, se talvez não fosse pedir muito, dar-lhe-ia um beijo também. E fecharia sua porta. E dormiria feliz. E no outro dia ligaria para saber como ela está e se aceitaria o convite de irem juntos ao cinema no final da tarde. E logo após, tomariam um cappuccino na cafeteria da esquina, a melhor da cidade. E voltariam felizes pra casa. E os outros dias se resumiriam também em telefonemas, saudades, encontros. E lembrou-se de um trecho da sua música preferida de Maroon 5 – “Ask her if she wants to stay a while and she will be loved...” – e não teve coragem de perguntar absolutamente nada.
Um sorriso leve desenhou os lábios da moça, como quem diz ‘estou indo’, e estava indo mesmo. Agora chuviscava, apenas.
Espere, espere, será que eu posso ao menos... – Mas percebeu que já era tarde ou estava distante demais para articular algum pedido, gesto, palavra, sequer. Talvez, quem sabe – pensou - ela esteja aqui amanhã novamente, para comprar um pedaço de sua torta preferida. E por coincidência forçada minha, eu também esteja aqui, nem que seja para passar a chuva.
Tomara que chova amanhã.


11 março, 2012

O tempo que precisei

Não, eu não quero te iludir e nem te machucar. Mas precisei desse tempo para rever a mim mesma. Foi necessário e continua sendo. Eu constantemente lembro de você, sinto tua falta, ainda escuto aquela música que você disse ser nossa, e sinto saudades. Gosto de tudo que você me deu, principalmente daquele colar com um pingente de trevo, que talvez tenha sido intencionalmente pra dar sorte, não sei. Estou ciente que nosso ciclo é precisar um do outro, de uma maneira que só a gente conhece. Eu te preciso hoje, você me precisa amanhã, depois de amanhã a gente flui.
O problema é que estou numa fase meio-desinteressada-das-coisas. E das pessoas. Não quero ser cobrada, não quero dar satisfações, não quero fazer alguma coisa por vontade de alguém, nem deixar de fazer por esse motivo também. Não quero fazer nada por obrigação. Não quero discutir, não quero brigar. Não quero sentir ciúmes, não quero ver todo dia, falar todo dia. Não quero me prender. Acontece que ultimamente tenho pensado muito em mim, e esta foi a melhor maneira de me sentir bem. Pense em você, se sinta bem também. E vamos deixar que as coisas aconteçam naturalmente, sem exigências, sem pressa. O amor não tem pressa. Eu também não. Que tudo aconteça quando tiver que acontecer, no momento certo.
Não vou desistir da gente, até porque nos conhecemos há anos, e anos não são dias, anos são momentos e momentos fazem história. Eu tenho uma história com você e de uma forma ou de outra, vamos dar continuidade a ela.
Sonhei com você hoje. Você estava tendo um ataque de ciúmes, o que não é novidade pra mim. Mas também estava lindo, e o seu sorriso brilhava depois que eu te pegava pela mão e dizia que você estava sendo bobo demais agindo assim, e nos dávamos o melhor abraço do mundo. E acordei lembrando do dia que você disse que estaria do meu lado sempre, não importando os apesares que provavelmente surgiriam.
Então pensaremos que esse tempo é apenas um 'apesar'. E que independente de qualquer coisa, a gente vá seguindo em frente, sempre com a nossa secreta harmonia.


06 março, 2012

Acorda amiga.
Chega uma hora da vida que você tem que desapegar. De certas coisas, certas pessoas, certos costumes. E se provavelmente você não fosse assim tão afetiva, seria bem mais fácil. 


01 janeiro, 2012

Para um bom começo de ano


Início de mais um ano e a vontade de que tudo seja diferente. Eu quase chorei hoje, confesso. Acho que essa mistura de passado, presente e futuro acaba causando uma confusão interna, quase que inexplicável.
Mas para um bom começo de ano eu resolvi deixar as lágrimas no passado, ou pelo menos adiá-las, já que nem sempre será possível contê-las.
Eu só não quero me perder por um caminho que não tenha saída. Até porque já estou percebendo que certas coisas estão acontecendo depressa demais e não tenho certeza se é assim que eu quero, sabe?!? Eu não quero me decepcionar e também não quero decepcionar ninguém. Chega de decepções, chega de mágoas, chega de qualquer coisa que leve ao sofrimento. Prometi que ia começar o ano com o pé direito, e dessa forma quero ir até o final dele.
Não quero sentir que as coisas são estranhas, não quero duvidar de bons sentimentos manifestados pra mim, não quero exigir nada de ninguém e nem esperar mudanças que sejam feitas por mim também. Chega disso, até hoje nada disso deu certo. Eu quero é que as coisas aconteçam naturalmente, sem pressa, sem medo, sem dor.
Só quero segurar a mão de quem seja limpo, verdadeiro e fiel. E que eu me poupe de quem não é.
Estou com todos os sentimentos bons do mundo para oferecer, desde que, ao meu lado, eu tenha pessoas suficientemente boas para compartilhar.

25 dezembro, 2011

O problema de nós, mulheres, é que idealizamos demais. O cara dá um simples 'boa noite' e a gente já acha que ele está nos paquerando. Quando vira amizade, a gente acha que ele já está com a intenção de namorar. Se porventura virar namoro, a gente já pensa em casamento, casa, filhos. Se algum dia vira casamento, a gente acha que vai ser eterno. E se por acaso nada disso acontecer, a gente só falta morrer.
E volto ao princípio: se ele deu um 'boa noite', é apenas um 'boa noite'. E assim com tudo que ele disser.
Então vamos parar de ver coisas onde não tem e deixar de sonhar demais. Até porque sonho muito doce, ficou pra pão e doce de leite, aquele mesmo de padaria.

19 dezembro, 2011

"Este ano...

... quero paz no meu coração, quem quiser ter um amigo que me dê a mão."

Chegamos ao fim de mais um ano, mas ainda lembro como se fosse ontem todos os planos que eu havia feito para 2011. Alguns eu consegui concretizar, mas outros ainda ficaram bem longe.
E eu não queria resumir aqui minha trajetória, mas seria impossível não mencionar que 2011 foi um ano difícil.
Borrei a maquiagem com lágrimas, e mesmo sem maquiagem, chorei muito também. Chorei pela faculdade, pelo emprego, por um amor. Eu tive que engolir 'nãos', sofrer perdas, esquecer mágoas, superar crises e ainda assim levantar do chão e tentar dar a volta por cima. Eu não consegui cumprir a promessa de ser menos orgulhosa, egoísta, ciumenta e impaciente. Eu, ao contrário de muitas, sou capaz de confessar quais são os defeitos que me tornam complicada. Não que isso aliviasse minha culpa, até porque se fosse assim eu já estaria isenta de falhas. Eu também não deixei de ser uma compradora compulsiva, não passei mais de 6 meses na academia, nem fiz cauterização de 15 em 15 dias. Mas eu viajei no carnaval, consegui ter mais paciência com meus alunos, comecei a curtir sertanejo, assisti filmes de ação, e até saí pra assistir jogo de futebol. Então digamos que eu pude desfrutar ainda de alguns bons momentos que este ano guardou lá no fundo daquela pequena gaveta da parte de baixo do armário que a gente quase nunca abre. E que a gente por curiosidade e sorte acaba encontrando alguma coisinha boa perdida lá dentro.

Dessa vez não quero exagerar nos planos, mas seria impossível não fazê-los. Então aí vai a lista com os cinco primeiros.

1. Aprender a tocar violão( e comprar um).
Eu sempre quis tocar violão, sou apaixonada por músicas acústicas e acho que já passou da hora de realizar esse sonho. As primeiras músicas que vou tocar são: Porta Aberta, de Luka; Sem Radar, de LS Jack; E I'm With You, da Avril Lavigne.

2. Viajar para algum lugar longe.
Eu nunca fui muito de viajar, mas falta de vontade nunca foi. Meu sonho é conhecer Salvador e depois Nova York, mas como havia dito que não quero exagerar, então me conformo com qualquer lugar longe, sendo bonito e aconchegante.
3. Escrever um livro.
Eu até já tenho algumas crônicas que farão parte dele. Mas eu preciso de mais, muito mais. Então já que curso Letras, seria bom unir o útil ao agradável, não?!?


4. Cursar uma outra graduação.
Não que não tenha gostado do meu curso de Letras, claro que gostei, mas sabe quando você pensa assim 'Ainda não é isso que eu quero' ou ' Não quero ficar só nisso a vida toda' ?!? Pois é, estas são as razões que me levaram a esse quarto tópico.


5. Ser mais sensata, altruísta e paciente.
Mais uma vez estou eu prometendo ter as mesmas qualidades que faço o maior esforço de sempre para conseguir. E espero que este ano que vem vá muito além do esforço. Amém.


Que venha 2012 com tudo do bom e do melhor com Deus, paz, amor e muita luz. E como já cantava 'The Fevers' :

"Marcas do que se foi, sonhos que vamos ter
Como todo dia nasce, novo em cada amanhecer..."

07 dezembro, 2011

Uma tarde qualquer

Encontraram-se os dois.
Ela entrou no carro e se limitou a dizer apenas um 'Oi, como vão as coisas?!?'. E ele, enquanto bebia uma cerveja e parecia um pouco mais distraído limitou-se a responder 'Pois é, vão bem' . E ficaram mudos. Um bom tempo mudos. Quem os visse assim não dizia que já se conheciam há anos. Na verdade o que parecia mesmo ali é que um não conhecia mais o outro há um bocado de anos atrás, o que de fato não era verdade.
Resolveram parar na praia e naquele momento ela já não tinha cabeça pra pensar em mais nada a não ser se perguntar o que viera fazer ali.
- Eu gosto de você. - Ele disse a interrompendo nos seus pensamentos.
- Eu também gosto de você. - Ela respondeu sem saber ao certo se falou só para concordar ou se realmente havia algum sentido nisto.
E começaram a conversar. Depois cantaram, dançaram e sorriram enquanto o sol e as ondas formavam o cenário perfeito para aquela tarde de verão e, portanto, de muito calor.
- Olha - ela disse - se não fosse nossos gênios absurdamente parecidos, nossos desentendimentos, e nossas vidas complicadas, posso garantir que não teríamos nos separado naquele dia e que seja lá qual fosse a circunstância que tivéssemos vivido, seríamos fortes e capazes o suficiente para enfrentarmos. O problema da gente é que somos espantosamente semelhantes.
- Eu nunca pensei que tantos pontos em comum pudessem levar duas pessoas a caminhos tão diferentes. - Ele responde meio atônito.
- Peças que a vida nos prega.
- Eu não sei você mas eu ainda queria...
- NÃO. Não diga nada.Vamos dessa vez deixar as coisas acontecerem naturalmente, eu prefiro que seja assim.
Ele a deu um singelo beijo e este parece que foi o motivo que ela precisava pra desabar. Mas nem era de tristeza, era algo que nem mesmo ela, naquele momento, conseguiria explicar.

E aquela tarde que era pra ser só mais uma normal, banal, qualquer entre tantas outras, foi apenas um começo de um recomeço que nem um dos dois saberia onde ia parar. E também no fundo acho que nem queriam saber.
Que continuassem então.