01 março, 2013

Aquilo que não quero ouvir (mas, ver).


Você sabe que precisa de bebidas mais fortes quando a mente tenta esquecer o que o coração insiste em lembrar. Tá, eu sei que o coração não lembra de nada e que o único que possui essa função é justamente aquela que eu quero que faça o contrário, e eu só estou usando essa linguagem altamente figurada pra dizer que todo o meu problema tem a ver mesmo é com o coração.
Penso em ir a um bar (por que não?!?) e pedir uma Vodka bem forte, daquelas que você toma e faz um esforço gigantesco para conseguir engolir, mas são apenas 14:00 h e não quero que pensem, de forma alguma, que sou mais uma AA que anda solta por aí. Então decido ir na cafeteria mais próxima, que não é tão próxima assim e eu precisaria, no mínimo, me preparar físico e psicologicamente para caminhar uns metros a mais do que estou andando nas últimas semanas. Logo desisto porque lembro que nem gosto tanto assim de café e a última coisa que eu quero agora é me manter acordada por causa de um efeitozinho provocado pela cafeína.
Decido ficar em casa mesmo, tomar no máximo, um milk-shake de baunilha, deitar no sofá cor-de-rosa da varanda e claro, como não poderia deixar de ser, pensar em nós dois. Imagino que se fôssemos um casal normal, digo tranquilo, sem confusões, sem neuroses, sem desconfianças e coisas afins, seríamos mais felizes. Porque na teoria todos acham legal dizer que felicidade vem de dentro e tal, mas na prática sabemos que felicidade depende muito mais do quesito amor do que se supõe. E de suposições estou farta. Estou farta também de promessas, as suas, que nunca são cumpridas, e também de todas as vezes que prometemos que será diferente, mas nada muda de lugar, começando pelas nossas ideias que são quase sempre imutáveis.
Sonho baixinho (porque já cansei de sonhar alto e levar tombos inesperados) que um dia possamos nos entender, e só quero, não porque hoje é o primeiro dia do mês e nem porque é sexta-feira (que geralmente cria em mim uma expectativa viva e imensa) que estou encorajando minhas palavras-desabafo-revolta-interna, mas é que hoje, pelo menos hoje, eu queria que você parasse de dizer que me ama e partisse para o plano de me provar com atitudes que isto é verdade. Porque, definitivamente, ainda não sou (e nem pretendo ser) do tipo de mulher que se conforma apenas com palavras (ao vento). 

19 fevereiro, 2013

Bem assim.

Me abrace, me beije, me cheire, me ame, mas não me peça pra tornar sério aquilo que, para mim, ainda não é. E não porque eu não quero que seja, mas porque nós ainda não nos demos razões suficientes para que assim se torne. Deixa que o tempo se encarrega de trazer o que for bom pra nós, e se não trouxer é porque não era pra ser. Paciência, pois.

18 janeiro, 2013

Sentimento sem nome


Queria ter o poder de pegar todas as lembranças que ainda me restam de você, colocar em uma gaveta e passar o cadeado. Não jogaria a chave fora mas guardaria em algum lugar não muito comum, de forma que eu nem lembrasse que ela existe. Os sentimentos seriam bem mais fáceis de lidar se tivéssemos o domínio sobre eles. Estou tão cansada dessa rotina de ilusão, em que se acredita em amores verdadeiros que não passam de paixõezinhas de esquina. Fico pensando se o problema está em mim que sempre acabo me entregando demais, me dando de bandeja toda vez que você cansa dos ares do mundo e volta para os meus abraços como se nada estivesse acontecido. E nada mesmo acontece, eu estou sempre aqui, não a te esperar, mas a te receber com sorrisos, e batom, e perfumes, e carismas, e beijos, e esperanças, e. 
Mas aí sempre chega o momento em que você, mesmo sem intenção, parte os últimos cacos que ainda restam do meu coração e desmorona todas as minhas possibilidades de ser feliz outra vez, então te mando embora pois reconheço que, como na metafísica, nós possuímos o princípio da impenetrabilidade em que eu não posso ocupar o seu espaço ao mesmo tempo que você ocupa o meu. E isso dura até que o ciclo volte novamente à tona e tudo recomece outra vez. Até hoje não sei se é amor, ou paixão, ou desejo, ou apego, ou loucura, ou algum tipo de consideração que temos um pelo outro porque sempre resta alguma coisa inacabada, sempre falta um pedaço do quebra-cabeça em que não conseguimos encaixar, sempre falta a nota da música que não entra em sincronia, sempre falta algo que conspire a nosso favor. A verdade é que não sei dar nome a esse sentimento que nos envolve e nos tormenta, nos aproxima e nos afasta. Mas a maior verdade é que preciso ser mais forte que eu, mais forte que a dor-saudade-carência pra poder dar o ponto final de um parágrafo que há tempos perdeu-se em uma página qualquer. Só assim me convenço que nossa história não passou de um conto de fadas com a ausência de um final feliz.


23 dezembro, 2012

2013, tanto faz.

(Não leiam, é apenas um desabafo). 

Sem expectativas, sem planos. Assim, pela primeira vez, me preparo para o próximo ano. Não estou fazendo nenhum tipo de melodrama mas é que cansei mesmo de todo fim de ano pensar em coisas novas pra fazer, posturas novas pra assumir, o que comprar, pra onde ir, o que fazer. Sim, eu sei que projetos são importantíssimos, metas existem para serem supridas e objetivos para serem alcançados. Mas não estou afim cara, não hoje, nem provavelmente amanhã, nem depois. Gostaria mesmo que todos parassem de me perguntar coisas desse tipo e parassem de narrar e planejar suas trajetórias perto de mim também.
Fiz tantos planos e nada deu certo, outros que nem fiz, ganhei de presente. Sei que essa é mais uma fase minha de auto-crise-psicológica que vai demorar pra passar assim como todas as outras, só queria que entendessem que não é nada fácil levar os dias se arrastando, calada, com um sorriso no rosto ainda por cima para que todos acreditem que está tudo bem, porque não sou dessas de espalhar aos sete ventos os problemas e dificuldades que percorrem o meu caminho, até porque não conheço ninguém que poderia ajudar.
Choro, choro muito porque ainda são nas lágrimas que encontro saída, são elas que varrem a tristeza que tenho em mim até que a próxima tristeza apareça novamente. Não sou exagerada, muito menos dramática, mas eu é que sei que o passo e ainda assim consigo me manter forte e em pé. E se Deus não estivesse comigo, nem sei o que seria de mim. 

(Quero ler tudo isto daqui a algum tempo e ver que pelo menos alguma coisa mudou. Pra melhor, por favor.)

12 novembro, 2012

Lembranças embaraçadas


Abri meu livro preferido, o que você me deu. Ele estava lá na estante escondido para que eu evitasse lembrar você, mas não sei por que hoje foi inevitável. Aperto-o contra meu peito com uma força desigual, como se fosse um abraço que desejaria te dar e quase sem me tocar que as lágrimas escorrem pelo meu rosto, começo a lembrar de nós. Queria poder dizer que sinto tua falta e te levar para caminhar na areia da praia e você me perguntaria por que praia e eu responderia que praia é um lugar bonito e sossegado, combinaria com a gente. Mas eu sequer tenho coragem de pegar o telefone e perguntar qualquer coisa boba, ou se você está bem, ou qualquer outra desculpa que eu inventaria para ouvir a tua voz. Covarde demais eu sou, tanto que não tive coragem de enfrentar meu próprio orgulho para dar chance ao amor que crescia entre nós. Tanto que, se me arrependi, nunca tive coragem de pedir perdão. 
Hoje você anda por caminhos que só te levam pra longe de mim, porque eu, eu mesma peguei sua mão e te levei pra esse caminho achando que estava me protegendo, me guardando de sentimentos que não suportaria sentir. Você simplesmente obedeceu.
Anoiteceu e ainda estou aqui, sufocada em lembranças e passados que permanecem vivos como se fossem flores mal regadas que insistem em crescer. E tão logo murcham.
Volto a esconder meu livro, lembrar você ultimamente não anda me fazendo bem. Um dia, quem sabe, eu possa te olhar novamente nos olhos e sorrir como antes.

01 novembro, 2012


"Hoje eu acordei com uma vontade enorme de olhar no fundo dos seus olhos
E te pedir perdão
Por tudo que eu falei sobre o amor, sobre nós dois ou sobre o mundo
Às vezes eu perco a razão
É que eu não reparei quando você me protegia em silêncio
E eu não soube expressar o meu carinho o meu amor em palavras de novela
Mas quando a gente cresce, a gente aprende a dar valor a quem está perto."♪ 
(Detonautas)