Prever algo só faz sentido se for bom. Não é o meu caso. Nada mais faz sentido e sentir-se perdida no meio de um quarto cor-de-rosa com um leve cheiro de jasmins vindo daquele incenso que pus sobre a cômoda de livros, já é algo que faz parte da minha rotina. Sinto algo que vai muito além de previsão e mais ainda de pressentimento, a fraqueza que absorve cada pedaço do meu corpo e da minha mente, quando penso que irei passar por mais uma fase funesta da minha vida. E o pior, sem ter pra onde correr.
Ninguém desconfia desse meu lado debilitado de ver e viver as coisas, faço questão de fingir sorrisos e simpatias, e acima de tudo coragem. Meu orgulho quase sempre nunca falha, é ele que me dá forças pra seguir a estrada de cabeça erguida e peito estufado, embora minhas pernas não saibam ainda que direção seguir. Sou estrangeira em terra de alegria, vim de lá dias atrás e não sei quando volto. Também não sei para onde vou. Só sei que não quero ir, embora minhas vontades não me obedeçam há tempos.
Fecho os os olhos, sinto na boca o gosto salgado das lágrimas que imploraram para serem derramadas. Paciência-soluços-paciência-força-paciência-fé-paciência-calma-paciência-suspiros. É preciso que antes do tudo e nada, haja paciência pra enfrentar os próximos tortuosos dias, levando em consideração que paciência pra mim nunca foi algo tão fácil de se ter.
Sempre soube que escolhas erradas nunca levam a um bom lugar. E hoje me encontro aqui, em um lugar em que não queria estar, fazendo o que não queria fazer, com sentimentos que não queria sentir. Tarde demais. Levar até o fim é o meu máximo, não posso desistir. Ainda que seja preciso retirar desesperadamente qualquer sobra de coragem e esperança de algum esconderijo perdido dentro do meu âmago. Que há de ter.
Amanhã, mais um dia. Mais uma luta. Mais um pesar. Mais uma inútil tentativa de olhar o meu mundo com outros olhos.